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terça-feira, 31 de julho de 2012

Decisões Tomadas Com Base Em Critérios Emotivos: Quando Se Ganha e Quando Se Perde?

A cultura e a política da empresa onde o profissional atua são determinantes nessas situações



No mercado de trabalho, dependendo do cargo que se ocupa, cada decisão tem um determinado peso. E grande parte delas gera alguma consequência, em maior ou menor grau, para as empresas ou para a própria carreira do profissional. No meio do caminho, a escolha feita pode ajudar ou prejudicar a trajetória profissional. E isso é natural, tendo em vista que em cada decisão existe um fator que pode ser um complicador ou um facilitador de todo esse processo: as emoções.

"As emoções nos acompanham o tempo todo e são importantes, pois nos fornecem pistas de como estamos e quem somos", afirma a psicóloga Clarice Barbosa. Ela explica que hoje existe uma linha tênue entre o âmbito profissional e o emocional. Em muitos casos, essa linha sequer existe – o que contribui para a existência de profissionais extremamente emotivos, que fazem suas escolhas de carreira baseadas apenas em questões emocionais.

A extinção da separação vida pessoal e profissional tem uma explicação bem racional. O mercado está mais competitivo, as informações chegam a todo momento e de maneira desenfreada e a qualificação para se dar bem na carreira tem de ser constante. Tudo isso, contando com o aumento do volume de trabalho, é o que explica a demanda por profissionais "multitarefa". O problema é que o dia continuou tendo 24 horas. "É muita informação em pouco tempo e não conseguimos ter tempo para pensar e aprofundar nada. Nossa mente tem um tempo interno. E não estamos respeitando esse tempo", explica a psicóloga.

Não é à toa a velha afirmação de que só é possível ter qualidade de vida quando se separa, ao menos, a vida profissional da pessoal. Para muitos profissionais, no entanto, essas duas esferas se tornaram uma só. As emoções, a partir daí, afloram mais. E vai ficando cada vez mais difícil saber quando a decisão a ser adotada foi baseada mais em critérios racionais que emocionais.

O racional x o emocional

"Profissionais mais emotivos aprenderam desde cedo a lidar com situações externas utilizando as emoções", explica Clarice. "Com isso, eles acreditam que conseguirão tudo o que querem", afirma a psicóloga que conta conhecer casos de pessoas que choravam a cada crítica que recebiam do líder ou de colegas. Elas agem assim, explica Clarice, porque, de maneira geral, os emotivos estendem para o âmbito profissional emoções típicas da vida pessoal.

 Jason Salmon/ iStockPhotos 
A cultura e a política da empresa onde o profissional atua são
determinantes nessas situações 


Casos, por exemplo, de profissionais que recusam novas oportunidades por não quererem romper o vínculo que criaram com os atuais colegas de trabalho são comuns. "Nesse caso, a decisão se relaciona com a carência afetiva desse profissional", explica a psicóloga. Profissionais mais racionais não perderiam novos desafios por amizades dentro da empresa. "Eles estão pensando no progresso profissional", afirma.

"Com certeza, toda ação e decisão feita e adotada por impulso é complicada", afirma a headhunter da De Bernt Entschev Human Capital Cristina Reininger. A especialista explica que profissionais que adotam critérios apenas emotivos para a tomada de decisão podem se prejudicar no mercado. "Eles podem ser vistos como imaturos", considera.

Um profissional que tem um comportamento mais emotivo, na avaliação de Cristina, é mais inseguro. Ela enfatiza, porém, que esse comportamento pode ser mais ou menos constante em determinadas profissões. A cultura e a política da empresa onde esse profissional atua também são determinantes na acentuação dessa característica. "Sempre tem uma influência do momento pelo qual esse profissional passa", avalia Cristina.

Consequências

Uma das consequências de se agir baseado nas emoções é justamente a estagnação da carreira, ou porque o profissional não percebe que isso está acontecendo ou pelo fato de ele cometer erros constantes. "Profissionais racionais pensam muito e agem menos. Os emotivos agem mais e, por isso, também erram mais", explica Clarice.

Outra consequência é o estresse. Um profissional mais racional nega o que sente e o emotivo é mais aberto a isso. "Com isso, o estresse pode ser maior no emotivo e pode até mascarar uma depressão", avalia a psicóloga. Tudo isso não significa dizer que ser racional é melhor quando se trata de desenvolvimento da carreira. Um líder que é muito racional, por exemplo, pode deixar de lado o bem-estar dos seus colaboradores, e pode acabar não tendo sucesso devido a isso.

Se não podemos contra elas...

Não importa se você está no trabalho ou em casa, brigando com seu líder ou com seu namorado, as emoções estarão presentes, em menor ou maior grau, dependendo da situação e do local. A grande questão, para as especialistas consultadas, não é o fato de as emoções estarem presentes nas escolhas de carreira. Mas sim o fato de elas atuarem em excesso.

E já que é impossível se desvencilhar das emoções, então, para minimizar erros, o ideal seria tentar equilibrá-las. "O profissional tem de saber administrar e organizar suas emoções", afirma Cristina. "Para isso, é preciso ampliar o autoconhecimento e a autoconfiança. Um profissional confiante não vai se deixar abalar por determinadas situações", explica a headhunter.

Para ela, um planejamento de carreira, nessas horas, é fundamental. Ainda que o profissional não siga essa linha à risca, ao menos ela indicará um caminho possível, com largada e chegada. Com isso, apesar de todas as situações que ele venha a enfrentar, ele conseguirá estabelecer critérios mais racionais em prol dessa meta de carreira.

"Esse profissional precisa ter um contraponto. Não pode ser só emoção ou só racional. Ele precisa voltar para si mesmo e perceber se essas decisões o ajudarão no futuro", considera Clarice. "Isso é inteligência emocional: utilizar as emoções a seu favor", considera. Ela lembra que a tomada de decisões envolve a emoção, a razão e a intuição. E que o equilíbrio desses fatores é importante. "As emoções são positivas. As atitudes que nós temos em decorrência de uma emoção é que podem nos prejudicar". 

terça-feira, 17 de julho de 2012

O Pato, o Cisne e o Empreendedorismo Internacional


Contos de fadas são histórias arquetípicas. Seus enredos se reproduzem o tempo todo, com diferentes personagens, formatos e detalhes. Mas, na essência, são as mesmas estruturas. Duas famosas narrativas do gênero caem como uma luva para a situação brasileira perante o mundo hoje. São as conhecidas fábulas do Patinho Feio, popularizada pelo dinamarquês Hans Christian Andersen, e do Cisne Negro, que faz parte do folclore chinês.

O Brasil nunca fez uma figura tão bela aos olhos internacionais quanto hoje. Tal qual o personagem de Andersen que desde o nascimento penou com descaso, bullying e até o frio do inverno e, já adulto, percebeu-se um dos mais vistosos cisnes do lago, o país vive seu momento de descoberta. Notícias boas vêm de todas as frentes. Em abril, numa das mais recentes, o restaurante D.O.M., de Alex Atala, consagrou-se como o sétimo melhor do mundo na eleição do celebrado ranking da revista inglesa The Restaurant. É um feito. Entre os 100 melhores, figuram ainda o Fasano, de Rogério Fasano, e o Maní, que tem a cozinha capitaneada por Daniel Redondo e Helena Rizzo.

Os brasileiros ainda se surpreendem com casos de reconhecimento como o dos nossos restaurantes. É que ainda estamos nos descobrindo cisnes. Já ouvi muita gente falar que o país está na moda. Não é assim. Moda implica em algo passageiro, efêmero, de estação. O Brasil, na verdade, tornou-se protagonista da própria história. Começa agora a colher os frutos dessa mudança de imagem, mas que ainda está em processo.
Estive em abril na Bélgica a convite da Delegação da Comissão Europeia no Brasil. Nas visitas ao parlamento e em conversas com representantes de organismos da UE os discursos exaltam justamente essa transformação. Não por acaso, em maio do ano passado as duas partes retomaram as negociações para o mais ambicioso acordo de comércio e cooperação política mundial. Entre as metas está a de criar uma zona de comércio livre – ou seja, sem barreiras tarifárias e não-tarifárias - entre União Européia e o Mercosul, que deverá movimentar mais de 200 bilhões de euros anualmente. Seria um mercado integrado de 750 milhões de pessoas.
Ninguém esconde que a volta às conversações se deve, em boa parte, ao momento econômico pelo qual passa o Brasil. Luiz Yáñez-Barnuevo García, eurodeputado presidente da Delegação para as Relações com os Países do Mercosul, reconheceu durante uma conversa com jornalistas brasileiros que, se no passado havia certo desequilíbrio de forças entre os dois lados, hoje os blocos se encontram em posição de igualdade.
Para quem ainda acha que a percepção do sucesso brasileiro não se sustenta, os números das relações bilaterais podem dar uma dimensão de que, sim, estamos de igual para igual. O Brasil investiu mais na UE nos anos de 2007 e 2008 que os europeus no Brasil. E em 2009, de acordo com a DG Trade, a Comissão de Comércio Europeia, o bloco nos passou por pouco: aplicou 7,6 bilhões de euros aqui contra 7,3 bilhões de euros provenientes do nosso lado.
Na atual situação de crise pela qual passa a comunidade europeia aliado a crescimento desigual do PIB entre os 27 integrantes (que variou de 6,1% na Noruega a –4,5%, na Grécia), muitos setores veem o Brasil e o Mercosul como uma grande ajuda, senão uma tábua e salvação para fugir de uma estagnação econômica que alarga fronteiras no continente.
Há problemas para firmar um acordo tão amplo. As principais resistências vêm dos agricultores franceses que expressam temor específico por uma suposta invasão da carne do Mercosul. Do lado sulista, a Argentina teme perda de competitividade com a entrada de veículos sem imposto de importação.
Políticas a parte, só o fato de um acordo como o citado estar sendo negociado com chances reais de sair do papel significa muito. E, mesmo que não aconteça, a porta europeia continuará aberta. Cada vez mais.
É aí que entra na nossa história a segunda lenda citada no início do texto. O Cisne Negro – não por acaso uma fábula chinesa – é uma ave majestosa, que se destaca entre as demais. Mas, para voar, precisa sair do lago, sacudir o excesso de água e tomar um forte impulso enquanto bate suas asas com vigor. Alcançar as alturas é consequência desse misto de ousadia e empenho. O cisne nasceu para voar. Mas para consegui-lo precisa ir à luta, esforçar-se e acreditar no seu potencial.
O D.O.M. de Alex Atala é um cisne negro. Assim como o Brasil pode ser perante a União Europeia. Existem grandes oportunidades à espera dos empreendedores nacionais. E não falo em exportações. Um acordo de livre comércio, é lógico, impulsionaria esse campo lá para a estratosfera. Mas há mais. A Europa é um mercado potencial para empresas que queiram levar sua marca para lá.
Exportar commodities é a demanda primária. Existem outras. As pequenas e médias empresas brasileiras de sucesso lapidaram suas qualidades em meio a crises, planos econômicos e inúmeros obstáculos, como falta de infraestrutura, carga elevada de impostos e falta de crédito. Esses diferenciais podem representar vantagem competitiva, como a própria economia brasileira demonstrou no caso da crise do subprime.
De acordo com a Comissão Europeia de Empreendedorismo e Indústria, os pequenos e médios representam 99% dos negócios do continente. O dado revela como o terreno europeu é fértil ao empreendedorismo. E não necessariamente apenas às iniciativas locais.
Setores mais organizados no Brasil, como o de franquias, já perceberam a chance real de internacionalização das marcas. E se preparam para abrir asas e alçar voo. A vice-presidente da Associação Brasileira de Franquias (ABF), Cristina Franco, afirmou à PEGN que ir para fora é o caminho natural das grandes redes brasileiras. A entidade fechou uma parceria com a agência de Promoção das Exportações (Apex Brasil) para auxiliar as empresas a exportar suas operações.
Durante minha passagem pela capital belga Bruxelas, que reúne grande parte das instituições da comunidade europeia, pude notar que muitos de nossos setores seriam competitivos naquele ambiente. Por exemplo, as marcas de fast food. Existe uma percepção que a cultura dos europeus é avessa à comida rápida. Mas isso tem mudado e representa uma oportunidade aos países com tradição na área. Produtos orgânicos são uma frente na qual também podemos competir. E a lista pode ir muito longe: alimentos funcionais, varejo – especialmente o popular - e calçados.
O ponto principal, na verdade, é que o Brasil não apenas pode negociar em condições de igualdade, mas também ser competitivo em áreas nas quais criatividade e inovação são diferenciais (pode confessar: é uma surpresa ou você já sabia que despontávamos no cenário da alta gastronomia internacional?). Basta que o cisne se enxergue como tal.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Qual é a Chave Para o Sucesso Profissional?


Bem-sucedido, em um curto espaço de tempo viu a expansão dos negócios vinda na esteira de longa e exaustiva jornada de trabalho, conta bancária polpuda e várias propriedades (algumas com cômodos que nunca pisou). Ganhou o prêmio "Empresário do Ano" de uma entidade de classe. Parodiando Barack Obama, já que falamos em sucesso, "ele é o cara".

A conversa sai do campo dos negócios, vai para as amenidades e – um pouco mais confortável – falamos sobre a vida pessoal. Para variar, falo sobre meus netos e as últimas estripulias que tanto alegram a família. Percebo uma mudança na expressão dele, um vinco na testa e um longo suspiro. Com a voz embargada, diz que a família se esfacelou enquanto construía um império. Separou-se, mal vê os filhos e brigou com os irmãos que insistiam em ocupar lugar de destaque em uma de suas empresas. Enfim, "ele é o cara..." triste e solitário.

Uma pergunta volta à minha mente: o que é sucesso profissional? Respostas clichês logo aparecem: "dinheiro não trás felicidade" ou "o topo é um lugar solitário". Entretanto, estas frases de almanaque, que povoam o imaginário coletivo, não se adaptam ao executivo que está à minha frente ou ao homem moderno. Vivemos em uma sociedade altamente competitiva, onde crianças já leem aos três anos e têm uma agenda tão atribulada quanto a minha (inglês, judô, vôlei, natação, música... ufa!). Na adolescência, fazem intercâmbio e são pressionados a entrar em faculdades de primeira linha. Por quê? Cursar uma instituição renomada seguiria a trajetória iniciada na infância rumo ao sucesso profissional.

Repare que esse caminho tem apenas uma linha, a que traça a profissão. Não há trilhas para a vida pessoal – família e amigos. Se existem, são tão leves que não as enxergamos. Se perguntarmos a um jovem universitário o que espera da vida, fatalmente, responderá: "Felicidade!" Mas qual felicidade ele objetiva e como pretende alcançá-la? Um dos homens mais ricos do mundo, o megainvestidor Warren Buffet diz que "o objetivo da vida é ser amado pelo maior número de pessoas possível entre aquelas que você deseja que amem você".

Céticos dizem que é fácil falar de amor quando se é bilionário. Mas não é essa tal felicidade que faz tanta falta ao meu amigo empresário aqui referido e que só se deu conta ao atingir o topo? Buffet, por exemplo, mora na mesma casa desde 1958, não tem celular nem computador na mesa e dirige o próprio Cadillac DTS. Penso que seria, talvez, uma estratégia dele para preservar a família e, assim, estabelecer um equilíbrio entre o pessoal e o profissional. Se o fez de caso pensado, não sei, pois não sou amigo ou confidente de Buffet, mas ele nos dá uma boa pista.

Não estou aqui defendendo a aposentadoria de celulares e computadores ou o menosprezo da carreira. É legítimo almejar o crescimento, bons postos e salários, o reconhecimento profissional e todas as justas e merecidas benesses advindas de muito estudo e trabalho. No entanto, os profissionais deveriam aprender também a fazer um planejamento estratégico da vida pessoal – está aí uma boa disciplina para as universidades – criar um projeto de vida que corra paralelo à carreira e que agregue familiares e amigos.

De forma bem pragmática, um profissional que apresente tal harmonia é mais produtivo, integra-se ao grupo com maior facilidade e dificilmente ficará afastado devido às doenças modernas (depressão, síndrome do pânico ou outros distúrbios).

Faço aqui uma reflexão porque somos treinados e preparados para alcançar a "felicidade" profissional, a qual, muitas vezes, está dissociada ou se sobrepõe à pessoal. Somos um ser único, com múltiplas necessidades e habilidades. Como sentenciou há muito tempo o matemático Blaise Pascal, "o homem é um ponto entre duas extremidades".

Agora, ouso a responder à pergunta que intitula esta matéria: o equilíbrio é a chave do sucesso!
Até a carta de abril!

Denis Mello - diretor-presidente do FBDE | NEXION Consulting - www.fbde.com.br - Consultores e Auditores em Marketing, Vendas e Gestão Empresarial. E-mail: diretoria@fbde.com.br. Siga:twitter.com/fbdenexion / twitter.com/denismello