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terça-feira, 20 de março de 2012

Insper traz especialista de Harvard para debater captação de recursos

O Insper – Instituição de Ensino e Pesquisa sem fins lucrativos – promove no dia 22 de março, em seu campus, Seminário “Fundraising – Melhores Práticas”. O objetivo desse seminário gratuito é o de disseminar para diferentes Institutos, Fundações e ONGs Brasileiras as melhores práticas de Governança e perenidade, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade, por meio do fortalecimento dessas Instituições de cunho social.

Como Keynote speaker, o Insper receberá o especialista em captação de recursos, Howard Stevenson, para debater as melhores práticas nesta área. Professor da Harvard Bussiness Administration e membro do Conselho Deliberativo do Insper, ele traz ao Brasil os conceitos de seu mais novo livro – “Getting to Giving: Fundraising the Entrepreneurial Way”.

Participantes:

Claudio Lottenberg – Presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e Professor Titular do curso de Ciências Políticas do MBA em Saúde do Insper. Foi membro do Conselho Nacional de Assistência Social e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; ex Secretário Municipal de Saúde do município de São Paulo. Conselheiro da Fundação Nacional da Qualidade – FNQ, no triênio 2007-2010 e Membro do Board do Pan-American Ophtalmological Foundation.

Alvaro de Sousa – Presidente do Conselho da GOL - Linhas Aéreas Inteligentes e do Conselho Diretor do WWF - Worldwide Wildlife Fund no Brasil. É também Conselheiro das seguintes empresas e entidades: WWF International Board of Trustees, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), Duratex S/A, CSU-CardSystem e Santos Futebol Clube, além de Coordenador do Comitê de Auditoria e Conselho Fiscal da AMBEV. É também Diretor da AdS – Gestão, Consultoria e Investimentos Ltda.

Marcelo Barbosa - Sócio fundador do Escritório, Conselheiro da Fundação Estudar e Diretor Estatutário do Insper. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Master of Laws pela Columbia University School of Law.

Mediador:

Claudio Haddad - Presidente do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (entidade sem fins lucrativos). Membro do Conselho de Administração da BM&FBovespa, da Ideal Invest S.A., do Instituto Unibanco e do Hospital Israelita Albert Einstein. Presidente do Conselho do Brazil Harvard Office, do David Rockfeller Center for Latin American Studies. Sócio e Diretor Superintendente do Banco Garantia (83-98). Diretor do Banco Central do Brasil (80-82).

Fundraising – Melhores Práticas
Data: 22/03/2012 (quinta-feira)
Horário: das 9h00 às 12h00
Local: Auditório Steffi e Max Perlman - Campus Insper 
Rua Quatá, 300 - Vila Olímpia - São Paulo/SP
Estacionamento: Rua Uberabinha, s/nº


PROGRAMAÇÃO

9h00 - 9h30
Welcome Coffee
9h30 - 11h00
Palestra: Getting to Giving: Fundraising the Entrepreneurial Way  (Howard Stevensen)
11h00 - 12h00
Mesa redonda: Captando recursos para uma ONG Internacional (Alvaro de Sousa); Hospital Albert Einstein um case de sucesso (Claudio Lottemberg); Formação e Administração de Endowment (Marcelo Barbosa)



Mais informações para imprensa – Insper:
Relações com a Mídia – Máquina da Notícia
Luisa Pascoareli
Cecilia Sousa
Lilian Caramel
4504-2668/ 2659/ 2662

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dicas Para Transformar Seus Entes Queridos Em Investidores



Achar dinheiro para começar um negócio ou investir nele não é uma das tarefas mais fáceis na vida do empreendedor – a gente da Pequenas Empresas & Grandes Negócios bem sabe o número de vezes que ouvimos isso dos nossos entrevistados. E, no fim, é preciso recorrer a alternativas como sócios, investidores profissionais, investidores anjos e outros tipos de financiamento.
Mas por que não simplificar tudo e pedir esse dinheiro para conhecidos, como familiares e amigos? Simplesmente porque é impossível misturar a esfera pessoal e a profissional ou jogar questões pecuniárias em relacionamentos emocionais sem tornar tudo muito complicado.
O que não significa que você não pode tentar, com algumas precauções. O site da revistaEntrepreneur fez uma lista de dicas bastante úteis para que você tenha capital para tornar seus sonhos realidade, sem ser proscrito no convívio familiar ou acabar com amizades de décadas.
1. Não tenha medo de pedir (mas com cuidado)
Ficar calado não vai fazer com que alguém espontaneamente te ofereça dinheiro, mas você também não pode começar uma conversa já pedindo que a pessoa saque seu talão de cheques. Tome iniciativa, mas tome cuidado para criar o ensejo necessário.
2. Seja positivo
Não comece a conversa ou faça o pedido por dinheiro com um papo negativo ou arrogante. Se a pessoa decidir lhe emprestar algum dinheiro, ela vai precisar saber como esse empréstimo foi usado e quais foram os resultados. E ninguém gosta de pessimistas ou pedantes.
3. Mostre sua paixão pela ideia
Sua empolgação e animação com o projeto pode ser o diferencial para convencer suas pessoas amadas de que vale a pena investir em você. Sem falar que, conhecendo-o bem, essas pessoas facilmente notarão se você estiver incerto ou despreparado.
4. Sempre peça pelo mínimo e não pelo máximo
Não abuse. Por mais que a ideia de ter dinheiro mais que suficiente para seu negócio pareça encantadora, peça uma quantia e espere resultados positivos do investimento, para assim pedir mais, se necessário.
6. Seja honesto
Deixe claro para essas pessoas todos os riscos do empréstimo para que elas não se iludam. E obviamente não peça dinheiro para pessoas que não podem se dar ao luxo de ficar sem ou perder essa quantia.
7. Não escolha conhecidos como último recurso
Familiares e conhecidos nem sempre devem ser sua última opção na hora de pedir dinheiro para investir no seu negócio. Há várias vantagens de fazê-lo, como a possibilidade de no futuro poder dividir lucros com pessoas que você ama.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O preço da educação

Enquanto nosso modelo de educação negligenciar a necessidade de ensinar nossos jovens a empreender e planejar sua vida, mais resignação e conformismo teremos entre os trabalhadores deste país

A realidade da renda do trabalhador brasileiro não é motivo de orgulho. Temos uma renda per capita baixa em relação a países desenvolvidos, e essa baixa renda é pessimamente distribuída, refletindo grande injustiça social. Obviamente, a solução não é baixar um decreto que aumente os salários. O trabalhador simplesmente recebe o que ele vale, ou o que vale seu conhecimento e sua capacidade profissional.

Ganha pouco quem agrega pouco aos resultados da empresa. A natureza do mundo dos negócios remunera mais quem contribui mais para a rentabilidade do capital dos sócios do negócio – mesmo que apenas potencialmente. Você é medido pelo que pode oferecer, e a medida mais imparcial de sua capacidade é o conhecimento que ostenta em seu currículo.

Enquanto nosso modelo de educação negligenciar a necessidade de ensinar nossos jovens a empreender e planejar sua vida, mais resignação e conformismo teremos entre os trabalhadores deste país. A constatação é evidente: não é de hoje que sobram vagas nas empresas, fruto da escassez de mão de obra qualificada. 

Muitas de nossas empresas que decidiram se expandir no exterior o fizeram para encontrar muito mais do que mão de obra barata. Os negócios estão em busca de mentes criativas, tecnologia e inovação, quesitos que ainda somos incapazes de produzir em níveis próximos aos que precisamos.

O desemprego, no Brasil, está próximo a seu recorde de baixa. Porém, é tão consistente a crítica no meio empresarial de que os negócios não crescem por falta de capital humano, que eu não considero otimista imaginar que poderíamos ter níveis de desemprego em torno de 5% da população ativa. Poderíamos, não fosse um detalhe: simplesmente não estamos preparados para competir com o resto do mundo, em termos de educação.

Por isso, vale a regra que já estamos acostumados a seguir para garantir nossa saúde e nossa aposentadoria. Chega de reclamar da falta de oportunidades, da preferência que o chefe deu a outro colega ou da crise do mercado. Pare de sonhar, e comece a agir. Seja um profissional maior que sua função, se quiser que reconheçam um valor maior do que ganha atualmente.

Invista em educação e fortaleça seu currículo para que, em sua próxima entrevista, não existam argumentos para compará-lo com a concorrência. Afinal, a concorrência qualificada não é numerosa. Se um idioma ou um diploma a mais não lhe garantem uma promoção, no mínimo diminuem a probabilidade de você ser descartado na próxima faxina decorrente de uma crise.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Insper Promove Seminário Sobre Regulação Financeira

O Insper e a Associação Nacional dos Procuradores do Banco Central - APBC realizam, no dia 27 de setembro, seminário sobre regulação financeira. Em três painéis, o evento vai debater o cenário brasileiro diante das propostas de reforma da regulação financeira internacional, a regulação do sistema financeiro nacional e a regulação jurídica da indústria de cartões de pagamento. O seminário acontece no Auditório Steffi e Max Perlman, Campus Insper, das 8h30 às 18h.

Seminário APBC Sobre Regulação Financeira
Data: 27 de setembro
Hora: 8h30
Local: Auditório Steffi e Max Perlman, Campus Insper
Rua Uberabinha, s/nº - Vila Olímpia

Programação
8h30
MESA DE ABERTURA:

Antonio Gustavo Matos do Vale
Diretor de Liquidações do Banco Central do Brasil

Isaac Sidney Menezes Ferreira
Procurador-Geral do Banco Central

Ana Luisa Fernandes Martins
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Banco Central
10h
Painel 1 – Regulação Financeira Internacional: o Brasil diante das propostas de reforma

Presidente:
Guilherme Centenaro Hellwig
Procurador do Banco Central no Rio Grande do Sul.

Palestrante:
Mônica Baumgarten de Bolle
Economista da PUC-RJ.

Debatedor:
Sérgio Odilon dos Anjos
Chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do Banco Central.

Debatedor:
Bruno Meyerhof Salama
Professor de Regulação Bancária, Direito e Economia, e Direito e Desenvolvimento da FGV/SP.

Abertura para perguntas – 30 min.
12h30
Intervalo para o almoço
14h
Painel 2 – Regulação do Sistema Financeiro Nacional: a regulamentação do art. 192 da CF

Presidente:
Adriana Toledo
Procuradora do Banco Central em Brasília

Palestrante:
Jairo Saddi
Coordenador Geral do Insper Direito

Debatedor:
Fabiano Jantalia
Procurador do Banco Central em Brasília e Professor de Direito Econômico do IDP/DF

Debatedor:
Vincenzo Demetrio Florenzano
Procurador do Banco Central em Belo Horizonte

Abertura para perguntas – 30 min.
15h30
Coffee break
16h
Painel 3 – Regulação Jurídica da Indústria de Cartões de Pagamento

Presidente:
Tânia Nigri
Subprocuradora-Regional do Banco Central em São Paulo.

Palestrante:
Juliano Maranhão
Professor da Faculdade de Direito da USP

Debatedor:
Mardilson Fernandes Queiroz
Consultor do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central do Brasil

Debatedor:
Cristiano de Oliveira Lopes Cozer
Subprocurador-Geral da Câmara Especial de Consultoria Monetária Internacional da Procuradoria Geral do Banco Central.

Abertura para perguntas – 30 min.
18h
Encerramento

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como o Guru Gustavo Cerbasi Planejou a Própria Aposentadoria

Referência em literatura de finanças pessoais no país, o consultor explica como formou em menos de 10 anos uma poupança sólida para o resto da vida


Gustavo Cerbasi: poupança arrojada para desfrutar da reserva mais tarde São Paulo - Autor de best-sellers como "Casais inteligentes enriquecem juntos" e "Cartas a um jovem investidor", o consultor financeiro Gustavo Cerbasi sai na frente de grande parte dos brasileiros quando o assunto é ter um dinheiro guardado para a aposentadoria.

Por meio de uma ousada estratégia de investimentos, Cerbasi conseguiu formar um colchão robusto para ser usado na velhice. Ao invés da aposentadoria, ele foi mais longe e elegeu a independência financeira como meta principal. Por sete anos, o planejamento foi sinônimo de um arrocho e tanto no orçamento.

A renúncia, que envolveu inclusive a troca de bens como o carro e a casa própria por capital para investir na bolsa, pode soar como austeridade excessiva para muita gente. Mas o fato é que o esforço surtiu resultados: aos 36 anos, o consultor integra o seleto grupo dos que poderiam vestir o pijama imediatamente, sem qualquer preocupação com a diminuição na conta bancária. Em entrevista ao site EXAME, Cerbasi conta como realizou a façanha em um espaço tão curto de tempo:

EXAME - Como você formou essa reserva para a aposentadoria?
Cerbasi - Tecnicamente eu já sou aposentado porque tenho patrimônio suficiente para parar de trabalhar. Eu me preparei para a independência financeira ao invés de me preparar para a aposentadoria, condição que alcancei há três anos, aos 33.

Desde o momento que percebi que havia uma grande oportunidade de gastar menos e poupar esse dinheiro, adotei uma série de iniciativas, em grande parte baseadas no livro "Pai Rico, Pai Pobre". A principal delas foi multiplicar minhas aplicações. Procurei diferentes fontes de renda para não comprometer o meu projeto de formação de poupança, que era bastante arrojado. E cheguei a guardar 85% do rendimento mensal que tinha com a minha mulher. 

EXAME - Onde esse dinheiro era aplicado?
Cerbasi - Fiz um planejamento de quanto era preciso poupar e por quanto tempo. A partir daí, comecei a investir em aplicações que julgava seguras. Especializei-me bastante em ações e concentrei meus investimentos nessa área, que eu conhecia e dominava. Em 2002, por exemplo, fui sequestrado no meu carro.

Recebi o reembolso do seguro e apliquei tudo na bolsa. Nessa época, ainda morava com meus pais e passei a usar o veículo de rodízio da família. Depois de algum tempo, acabei comprando esse automóvel com os ganhos que tive. O foco não era a rentabilidade dos papéis, mas a possibilidade de ganhar com dividendos, juros sobre capital próprio e com o aluguel de ações. Hoje, o que eu piloto são apenas os rendimentos dos meus investimentos.

EXAME - Quando começou esse processo?
Cerbasi – Eu já poupava para os planos de médio e curto prazo desde 1998, quando comecei a trabalhar. Em 2000 surgiu a ideia do casamento e foi aí que iniciei a estratégia radical da poupança com minha esposa. Esse objetivo de guardar possibilitou que eu economizasse em uma época em que meu salário aumentou bastante. Consegui atingir a independência financeira por volta de 2007.

EXAME - Qual é o segredo para colocar o objetivo de poupar na frente dos desejos de consumo?
Cerbasi - Ao fazer sacrifícios por um curto período de tempo, conseguimos muitas coisas depois. Eu e a Adriana nos demos as mãos nessa proposta, porque limar os gastos parece fácil, mas não é. Cortamos tradições como jantar fora, trocar flores, coisas que eram muito simbólicas. Mas depois tivemos a recompensa. Como estávamos seguindo uma espécie de gincana para viabilizar um casamento dos sonhos, chegamos a poupar 85% de nossa renda conjunta.

A proposta inicial era poupar apenas 75%, que era a minha proporção de ganhos - eu ganhava 3.000 e ela 1.000 reais. Com o tempo, nossa renda cresceu e nós mantivemos o rigor na restrição de consumo. Estávamos muito motivados com nossos planos e chegamos a triplicar o que ganhávamos em dois anos. Mas como nossa renda média oscilava muito, optamos por ter um padrão de vida próximo ao piso inicial e poupar o excedente até conquistar nossas metas. Em 2001, por exemplo, faturei 800 reais em janeiro e 25.000 em maio.

EXAME - Não foi um sacrifício abrir mão dos bens que vocês já podiam ter?
Cerbasi - Depois da independência financeira é que voltamos os olhos para os nossos sonhos. Quanto mais a pessoa trabalha, mais ela realiza desejos, e eu aceito isso muito bem quando o esforço não é por um prazo muito longo. Hoje, temos um patrimônio seguro e podemos aproveitar a reserva formada. Já no nosso casamento, em 2002, conseguimos fazer a festa que sonhávamos para cerca de 350 pessoas. E tivemos uma lua de mel de três semanas, duas na Grécia e uma em Paris.

EXAME - Que tipo de renúncia essa poupança envolveu ao longo do tempo?
Cerbasi – Fomos morar em um apartamento de dois quartos depois do casamento. Compramos o imóvel porque o preço era oportuno e o lugar não era ruim. Algum tempo depois, vimos que o aluguel de uma unidade um andar acima do nosso era muito viável, sem contar que não teríamos gastos com a mudança.

O preço que pagaríamos todo mês seria inferior aos dividendos que iríamos receber com as ações que comprássemos com o venda do nosso apartamento. Foi muito fácil nos desfazermos dele porque fizemos a compra pensando que aquela não seria nossa moradia definitiva, mas um investimento. O que nos fez vender foi a oportunidade. O dinheiro foi para a bolsa e me mostrou que eu estava no caminho certo.

EXAME - A renda fixa foi abandonada nesse período de acumulação?
Cerbasi - Eu tinha renda fixa para aproveitar as crises. Esse dinheiro me dava a oportunidade de aproveitar a baixa do mercado para rebalancear a carteira. Em alguns momentos, cheguei a ter mais de 95% do patrimônio em ações, como nas eleições do governo Lula.

A partir do momento em que conquistei minha independência financeira, que coincidiu com o período da crise de 2008, comecei a diversificar meus investimentos. Hoje, tenho mais ou menos um terço do dinheiro na renda fixa tradicional, com títulos públicos e poupança, outro terço em fundos imobiliários e a última parte em ações e fundos de ações.

EXAME - Como unir o casal em busca desse objetivo em comum?
Cerbasi - Através do uso de argumentos lógicos. Quando vendi o carro, por exemplo, vi que os dividendos estavam chegando na casa de 10% ao ano antes de colocar o dinheiro na bolsa. Esse era um ponto de vista bastante racional para convencer minha mulher. Mesmo que as ações continuassem caindo, nós teríamos os dividendos. E também havia a confirmação de que uma eleição do Lula não abalaria tão fortemente os negócios.

EXAME - O dinheiro que está guardado vai ser suficiente para a aposentadoria?
Cerbasi - Eu não trabalho com a visão de pagar as minhas contas porque 100% do dinheiro que eu ganho é voltado para o aumento do meu patrimônio, que administro para garantir a qualidade de vida. Se eu parar de trabalhar, será possível gerenciar o que já tenho. E enquanto continuar na ativa, vou poder aumentar essa reserva. Essa é a lógica que eu sigo a partir do que colhi com meu esforço nesse período de sete anos.

EXAME - Você também formou um colchão para os seus filhos?
Cerbasi - Minha parcela mais arrojada de investimento é a para a educação dos meus dois filhos. O dinheiro que destino às small caps é específico para isso. No futuro, eles terão consciência que essa quantia não é para eles, mas para a educação que eles terão.

EXAME - Ganhar mais e aumentar o padrão não é uma tentação muito grande? Cerbasi - Infelizmente quem está prosperando na carreira cresce em um ambiente em que os que estão ao seu redor têm status. Essas pessoas frequentam clubes e condomínios e têm carros cada vez melhores. Se a pessoa elevar o padrão tão rápido quanto cresce sua renda, a meta de equilíbrio financeiro vai ficar cada vez mais distante.

O que eu fiz foi sustentar o padrão de antes. Apesar de ser professor de primeira linha, eu dava aula em 8 MBAs e mantinha um custo de vida que na época não era maior que 4.000 reais por mês. Nós sustentamos esse padrão porque no momento que chegou a independência financeira, eu passei a lidar com a lógica de que cada dia de trabalho, cada pacote de direitos autorais, permitiria aumentar o meu padrão lá na frente. E ele vem crescendo vegetativamente em comparação ao sucesso que tive na carreira.

EXAME - O que a lógica de aproveitar depois proporcionou no curto prazo?
Cerbasi - Se eu fosse preocupado em garantir minha agenda de aulas cheias, jamais teria parado três meses, como eu fiz, para sentar e escrever um livro com paciência. Permiti a mim mesmo o luxo de parar. Muita gente poderia aceitar uma proposta como essa e não faz porque está correndo atrás da grana para pagar o padrão que sustenta. Por isso uso o lema de que uma vida mais simples é uma vida mais rica. Em várias situações eu poupava 80% a 85% do que ganhava.

EXAME - Você nunca considerou tomar algum empréstimo para antecipar os sonhos?Cerbasi - Eu sou totalmente contra o uso do crédito para colher pequenos luxos, caprichos e vontades imediatas. O crédito é uma bênção na nossa economia e o consumidor pode recorrer a ele quando tem a possibilidade de incrementar a renda da família, montando um negócio ou comprando um automóvel que viabilize um emprego melhor, mas que seja longe, por exemplo.

Ou então quando ele antecipa um benefício que não seria possível em outra situação da vida: o filho está se formando e saindo de casa e o sujeito não tem dinheiro agora, mas esse é um fato único e ele quer planejar uma viagem com toda a família. Isso se justifica. Mas a vontade de ter um celular melhor, de aumentar o tamanho da televisão, eu acho uma grande bobagem. Se o brasileiro soubesse usar o crédito para alavancar seus ganhos e sua felicidade, aí sim estaríamos começando a usar bem esta ferramenta. O problema é que não temos uma educação financeira institucionalizada.

EXAME - Com a idade que você tem hoje, seria tarde para começar a poupar para atingir a independência financeira?
Cerbasi - Seria tarde se a pessoa levasse em consideração apenas os produtos tradicionais. Quem acha que o esforço é muito grande para guardar, tem que colocar na cabeça que não vai mais poder ser um profissional convencional, um chefe de família tradicional. Ele terá que assumir a profissão de investidor também, aplicando naquilo que conhece. Aí sim a tarefa passa a ser mais tangível.

Se esse indivíduo começar a frequentar lançamentos imobiliários, conversar com corretores, comprar livros sobre o assunto, aos poucos poderá gastar o pouco dinheiro que tem com oportunidades consistentes, comprando um terreno e revendendo com 60% de lucro, por exemplo. Uma achado em um leilão pode garantir uma rentabilidade de 15% a 20% sem grandes esforços. Nesse intenso mergulho que a pessoa fará no mercado de investimentos, ela poderá sim conseguir uma rentabilidade anual na casa de 20% a 30% ao ano.